Mídia & Insight

Espaço de trabalho na era da revolução digital: open space nunca foi o vilão

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Dados de 2016 já demonstravam a grande disparidade entre a evolução tecnológica e como o espaço de trabalho (não) acompanhou esta evolução. Para 20 significativas mudanças tecnológicas ocorridas nos 40 anos anteriores, o espaço de trabalho evoluiu, em média global, 1,8 vezes apenas. Ou seja. Empresas que buscam se modernizar em suas ferramentas, e que, ao longo de 40 anos adotaram as tecnologias conforme evoluíam, não olharam para sua maior ferramenta com o mesmo cuidado: o espaço físico que deve abrigar essas tecnologias. Mais grave ainda, este espaço abriga as atividades de quem opera essas tecnologias.

Não sabemos ao certo o desafio que a revolução Digital lançará sobre nós, sabemos  algumas tecnologias (revolucionarias) que já caminham ao nosso encontro: inteligência artificial, inteligência das coisas, carros autônomos. Sabemos que teremos, pela primeira vez, quatro gerações atuando juntas no espaço corporativo, e precisando lidar com essas tecnologias revolucionárias. Sabemos que tudo isso acontecerá em espaços físicos obsoletos, e não estamos falando em termos de tecnologia.

             É preciso atentar-se a um fato em particular, os especialistas já nos avisam: A Revolução 4.0 é uma revolução comportamental, organizacional. O segredo para traçar as estratégias do futuro refere-se basicamente à conexão humana com essas tecnologias.

Falar do conceito do espaço aberto (OPEN SPACE) é essencial para que possamos aprender com o passado ao construir nossos novos espaços de trabalho. Há aproximadamente 30 anos replica-se a tendência do espaço aberto indiscriminadamente no interior das empresas, as justificativas são plausíveis, mas tapa-se uma demanda, abrem-se muitas outras. E agora que muitas novas formas de desenho do espaço de trabalho se apresentam, é preciso cuidar para não replicarmos apenas tendências DE NOVO.

O OPEN SPACE surgiu como ferramenta de melhora nas dinâmicas das empresas. Ainda assim, dados coletados sobre o espaço de trabalho na América Latina demonstram que 73% dos colaboradores reprovam este formato.

A razão para esses dados alarmantes é que o OPEN SPACE, apesar de aproximar times, equipes e setores, descobre outras necessidades fundamentais ao desenvolvimento produtivo dos colaboradores, como exemplo da autonomia nas atividades individuais focadas. O problema é tão real que é unanimidade que empresas pensem necessitar de mais salas de reunião tradicionais e fechadas, as que possuem nunca são suficientes. Na maioria das vezes essa necessidade se dá por que o desempenho individual é transferido para essas salas, que são projetadas para grupos de pessoas mas muito utilizadas para atividades em um ou dois indivíduos. E não podemos culpa-los.

Não repetir no erro significa compreender que há uma infinita variedade de atividades e necessidades que podem ser mapeadas quando tratamos das dinâmicas que cada setor de cada empresas desenvolvem. E compreender que a Revolução digital trará mais dinâmicas (atualmente ainda desconhecidas) e que precisaremos de espaços que as abriguem, urgentemente.

Como projetar algo que parece tão complexo, e que precisa ser flexível a ponto de acompanhar as mudanças tecnológicas sem gerar grandes impactos físicos ou financeiros a cada mudança?  Começando por não replicar tendências sem embasamento, já há mais chance de sucesso.

As atividades necessárias a um setor de RH, por exemplo, diferem absolutamente das atividades desempenhadas pelo setor Marketing ainda que ambos sejam da mesma empresa. E não é exagero dizer que o Marketing de uma empresa de tecnologia necessita de espaços consideravelmente diferentes do Marketing de uma empresa de assessoria Jurídica. Logo, o que fazer?

É preciso estudar individualmente as pessoas, os departamentos, alinhar-se à cultura e valores da empresa, indicar ao RH e aos gestores os movimentos que apenas funcionarão se vindos de cima.

É preciso, como arquitetos de espaços corporativos, guiar o cliente à soluções reais, embasadas, estudadas, justificadas. É preciso assumir a responsabilidade pela ocupação produtiva de cada metro quadrado de um escritório, pois ocupação física ociosa ou sem adesão é desperdício de recursos (do investimento ao custo operacional).

As tipologias que a STUDIO BR projeta, através do método WORKXPERIENCE®, de maneira embasada, eram OITO em 2016, hoje são 15. Seguimos evoluindo conforme ampliamos nossas pesquisas no interior dos clientes, projetamos conforme as necessidades reais. Se não o fizermos, em breve, teremos cópias de espaços “bacanas”, porém sem utilidade. O Open Space não foi um erro, um erro foi implantá-lo sem entender como suprir as deficiências que ele trazia ao cotidiano de cada setor, de cada empresa que decidiu fazer este movimento, e que ainda hoje colhe reclamações por tê-lo feito.

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